Carregando template... ^_^
... ... ... ... ...

|
sábado, 7 de agosto de 2010
(Virgílio guiando Dante através do rio Aqueronte.)
Existem vários tipos de relações humanas. Existem vários tipos e graus de amizades, de afeições familiares assim como também há vários tipos de relações amorosas... Algumas sérias, outras não, algumas contra a vontade e outras que não saem nem do plano imaginário.
O frágil elo entre um humano e outro pode às vezes tomar aspectos sagrados, às vezes ordinários ou até odiosos. Humanos se conectam pelos mais diferentes motivos e emoções. Laços de família, laços de interesses, laços amorosos, laços de ressentimento...
Há uma infinita gama de aspectos a serem tomados pelos caminhos se cruzam.
Creio, porem, que há dois tipos de laços que, se não forem exclusivos daqueles que vivem da arte, então pelo menos é algo que essas pessoas experimentam mais que as outras.
A presença de uma pessoa vai além da extensão de seu corpo. Isso permite que os destinos de duas mentes se encontrem mesmo que elas vivam em lugares distantes, superando até o tempo.
Essa relação vem da admiração de alguém que reconhece que pode aprender muito com outro gênio.
Quando li A Divina Comédia fiquei impressionado com a admiração e respeito que Dante demonstra pelo poeta Virgilio em usa obra. Dante usava a obra do principal poeta latino para se inspirar e também como base para seus inscritos. Há mais de 1200 anos separando-os, mas isso não impediu Dante de tê-lo ao seu lado, guiando-o tanto no inferno quanto na vida real.
Guia-o também, no trecho do paraíso, aquela que o inspirava não por um talento artístico, mas por algo muito mais singelo. Quem guia Dante na última parte era sua musa Beatriz, a quem foram dedicados muitos e muitos versos e que deu a ele a inspiração, sem nunca cobrar nada, desde o dia em que ele havia se deparado com ela em um sonho aos seus doze anos de idade.
Aprendemos em sua obra que o laço entre o artista e aquele que lhe inspira, seja sob a forma de mestre ou de musa, adquire, para o admirador, uma aura divina, capaz de guiá-lo através das adversidades da vida, mostrando-lhe sempre o caminho certo a ser seguido. E para o artista não há nada mais precioso.
Por que quando nada mais nos resta, ainda temos nas lembranças aqueles que ensinaram nossos ideais, que nos fizeram ver que há pessoas que merecem nossa admiração e que também amenizaram nossa existência fadada ao sofrimento através da habilidade transformadora do homem.
Um elo que vai além do tempo... Um elo a qual o artista deve tudo o que tem. É impossível falar de um artista sem falar daqueles que lhe deram forças para ficar de pé.
Postado Por:
Black-Blood as
17:52 Comments: |
Postar um comentário