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segunda-feira, 26 de julho de 2010

A cenoura invisível

Inicialmente, eu queria ter falado sobre a razão áurea, phi e os números de ouro nesse post, mas achei que era um assunto muito interessante para falar tão cedo. Quero deixar para falar disso quando meu blog estiver com todos os detalhes finalizados e quando ele estiver sendo mais visitado. Então eu pensei em falar sobre a relação do artista com as suas fontes de inspiração, mas depois de ter visto um vídeo na internet, bastante artístico, achei melhor deixar para uma próxima semana e fazer um post só com o vídeo. Mas ontem, em uma conversa de barzinho, mencionei um texto que prometi postar aqui para que pudesse ser lido. Enfim, enjoy.


Quem assistiu o filme ‘Clube da Luta’ ou leu o livro sabe que as obras do autor Chuck Palahniuk são um verdadeiro soco no estomago. Mas esse texto, escrito por ele, é mais que um soco na barriga: É um soco na boca do estômago, seguido por um jab de esquerda e um gancho no queixo, ementado por um mata-leão e um abraço do urso logo depois. Tudo isso finalizado por um Round-house Kick e um Hadouken na fuça ( 7 HITS COMBO! ).


Quando tentei ler o texto pela primeira vez, não consegui lê-lo de uma única vez, tamanha a tortura mental que esse texto me proporcionou. Depois de ter conseguido ler o texto, senti um misto de alivio e repulsa. O conteúdo do texto é forte, por isso não recomendo para quem tem estomago fraco. Enfim, posto aqui esse texto por que achei fascinante a sensação tão peculiar que esse texto oferece. Boa leitura!



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Inspire.

Inspire o máximo de ar que conseguir. Essa estória deve durar aproximadamente o tempo que você consegue segurar sua respiração, e um pouco mais. Então escute o mais rápido que puder.


Um amigo meu aos 13 anos ouviu falar sobre "fio-terra". Isso é quando alguém enfia um consolo na bunda. Estimule a próstata o suficiente, e os rumores dizem que você pode ter orgasmos explosivos sem usar as mãos. Nessa idade, esse amigo é um pequeno maníaco sexual. Ele está sempre buscando uma melhor forma de gozar. Ele sai para comprar uma cenoura e lubrificante. Para conduzir uma pesquisa particular. Ele então imagina como seria a cena no caixa do supermercado, a solitária cenoura e o lubrificante percorrendo pela esteira o caminho até o atendente no caixa. Todos os clientes esperando na fila, observando. Todos vendo a grande noite que ele preparou.


Então, esse amigo compra leite, ovos, açúcar e uma cenoura, todos os ingredientes para um bolo de cenoura. E vaselina.


Como se ele fosse para casa enfiar um bolo de cenoura no rabo.


Em casa, ele corta a ponta da cenoura com um alicate. Ele a lubrifica e desce seu traseiro por ela. Então, nada. Nenhum orgasmo. Nada acontece, exceto pela dor.


Então, esse garoto, a mãe dele grita dizendo que é a hora da janta. Ela diz para descer, naquele momento.


Ele remove a cenoura e coloca a coisa pegajosa e imunda no meio das roupas sujas debaixo da cama.


Depois do jantar, ele procura pela cenoura, e não está mais lá. Todas as suas roupas sujas, enquanto ele jantava, foram recolhidas por sua mãe para lavá-las. Não havia como ela não encontrar a cenoura, cuidadosamente esculpida com uma faca da cozinha, ainda lustrosa de lubrificante e fedorenta.

Esse amigo meu, ele espera por meses na surdina, esperando que seus pais o confrontem. E eles nunca fazem isso. Nunca. Mesmo agora que ele cresceu, aquela cenoura invisível aparece em toda ceia de Natal, em toda festa de aniversário. Em toda caça de ovos de páscoa com seus filhos, os netos de seus pais, aquela cenoura fantasma paira por sobre todos eles. Isso é algo vergonhoso demais para dar um nome.

As pessoas na França possuem uma expressão: "sagacidade de escadas." Em francês: esprit de l'escalier. Representa aquele momento em que você encontra a resposta, mas é tarde demais. Digamos que você está numa festa e alguém o insulta. Você precisa dizer algo. Então sob pressão, com todos olhando, você diz algo estúpido. Mas no momento em que sai da festa....


Enquanto você desce as escadas, então - mágica. Você pensa na coisa mais perfeita que poderia ter dito. A réplica mais avassaladora.


Esse é o espírito da escada.


O problema é que até mesmo os franceses não possuem uma expressão para as coisas estúpidas que você diz sob pressão. Essas coisas estúpidas e desesperadas que você pensa ou faz.


Alguns atos são baixos demais para receberem um nome. Baixos demais para serem discutidos.


Agora que me recordo, os especialistas em psicologia dos jovens, os conselheiros escolares, dizem que a maioria dos casos de suicídio adolescente eram garotos se estrangulando enquanto se masturbavam. Seus pais o encontravam, uma toalha enrolada em volta do pescoço, a toalha amarrada no suporte de cabides do armário, o garoto morto. Esperma por toda a parte. É claro que os pais limpavam tudo. Colocavam calças no garoto. Faziam parecer... melhor. Ao menos, intencional. Um caso comum de triste suicídio adolescente.

Outro amigo meu, um garoto da escola, seu irmão mais velho na Marinha dizia como os caras do Oriente Médio se masturbavam de forma diferente do que fazemos por aqui. Esse irmão tinha desembarcado num desses países cheios de camelos, na qual o mercado público vendia o que pareciam abridores de carta chiques. Cada uma dessas coisas é apenas um fino cabo de latão ou prata polida, do comprimento aproximado de sua mão, com uma grande ponta numa das extremidades, ou uma esfera de metal ou uma dessas empunhaduras como as de espadas. Esse irmão da Marinha dizia que os árabes ficavam de pau duro e inseriam esse cabo de metal dentro e por toda a extremidade de seus paus. Eles então batiam punheta com o cabo dentro, e isso os faziam gozar melhor. De forma mais intensa.

Esse irmão mais velho viajava pelo mundo, mandando frases em francês. Frases em russo. Dicas de punhetagem.


Depois disso, o irmão mais novo, um dia ele não aparece na escola. Naquela noite, ele liga pedindo para eu pegar seus deveres de casa pelas próximas semanas. Porque ele está no hospital.


Ele tem que compartilhar um quarto com velhos que estiveram operando as entranhas. Ele diz que todos compartilham a mesma televisão. Que a única coisa para dar privacidade é uma cortina. Seus pais não o vem visitar. No telefone, ele diz como os pais dele queriam matar o irmão mais velho da Marinha.

Pelo telefone, o garoto diz que, no dia anterior, ele estava meio chapado. Em casa, no seu quarto, ele deitou-se na cama. Ele estava acendendo uma vela e folheando algumas revistas pornográficas antigas, preparando-se para bater uma. Isso foi depois que ele recebeu as notícias de seu irmão marinheiro. Aquela dica de como os árabes se masturbam. O garoto olha ao redor procurando por algo que possa servir. Uma caneta é grande demais. Um lápis, grande demais e áspero. Mas escorrendo pelo canto da vela havia um fino filete de vela derretida que poderia servir. Com as pontas dos dedos, o garoto descola o filete da vela. Ele o enrola na palma de suas mãos. Longo, e liso, e fino.

Chapado e com tesão, ele enfia lá dentro, mais e mais fundo por dentro do canal urinário de seu pau. Com uma boa parte da cera ainda para fora, ele começa o trabalho.


Até mesmo nesse momento ele reconhece que esses árabes eram caras muito espertos. Eles reinventaram totalmente a punheta. Deitado totalmente na cama, as coisas estão ficando tão boas que o garoto nem observa a filete de cera. Ele está quase gozando quando percebe que a cera não está mais lá.


O fino filete de cera entrou. Bem lá no fundo. Tão fundo que ele nem consegue sentir a cera dentro de seu pau.


Das escadas, sua mãe grita dizendo que é a hora da janta. Ela diz para ele descer naquele momento. O garoto da cenoura e o garoto da cera eram pessoas diferentes, mas viviam basicamente a mesma vida.


Depois do jantar, as entranhas do garoto começam a doer. É cera, então ele imagina que ela vá derreter dentro dele e ele poderá mijar para fora. Agora suas costas doem. Seus rins. Ele não consegue ficar ereto corretamente.


O garoto falando pelo telefone do seu quarto de hospital, no fundo pode-se ouvir campainhas, pessoas gritando. Game shows

Os raios-X mostram a verdade, algo longo e fino, dobrado dentro de sua bexiga. Esse longo e fino V dentro dele está coletando todos os minerais no seu mijo. Está ficando maior e mais expesso, coletando cristais de cálcio, está batendo lá dentro, rasgando a frágil parede interna de sua bexiga, bloqueando a urina. Seus rins estão cheios. O pouco que sai de seu pau é vermelho de sangue.

O garoto e seus pais, a família inteira, olhando aquela chapa de raio-X com o médico e as enfermeiras ali, um grande V de cera brilhando na chapa para todos verem, ele deve falar a verdade. Sobre o jeito que os árabes se masturbam. Sobre o que o seu irmãos mais velho da Marinha escreveu.


No telefone, nesse momento, ele começa a chorar.


Eles pagam pela operação na bexiga com o dinheiro da poupança para sua faculdade. Um erro estúpido, e agora ele nunca mais será um advogado.


Enfiando coisas dentro de você. Enfiando-se dentro de coisas. Uma vela no seu pau ou seu pescoço num nó, sabíamos que não poderia acabar em problemas.


O que me fez ter problemas, eu chamava de Pesca Submarina. Isso era bater punheta embaixo d'água, sentando no fundo da piscina dos meus pais. Pegando fôlego, eu afundava até o fundo da piscina e tirava meu calção. Eu sentava no fundo por dois, três, quatro minutos.


Só de bater punheta eu tinha conseguido uma enorme capacidade pulmonar. Se eu tivesse a casa só para mim, eu faria isso a tarde toda. Depois que eu gozava, meu esperma ficava boiando em grandes e gordas gotas.


Depois disso eram mais alguns mergulhos, para apanhar todas. Para pegar todas e colocá-las em uma toalha. Por isso chamava de Pesca Submarina. Mesmo com o cloro, havia a minha irmã para se preocupar. Ou, Cristo, minha mãe.


Esse era meu maior medo: minha irmã adolescente e virgem, pensando que estava ficando gorda e dando a luz a um bebê retardado de duas cabeças. As duas parecendo-se comigo. Eu, o pai e o tio. No fim, são as coisas nais quais você não se preocupa que te pegam.

A melhor parte da Pesca Submarina era o duto da bomba do filtro. A melhor parte era ficar pelado e sentar nela.

Como os franceses dizem, Quem não gosta de ter seu cú chupado? Mesmo assim, num minuto você é só um garoto batendo uma, e no outro nunca mais será um advogado.


Num minuto eu estou no fundo da piscina e o céu é um azul claro e ondulado, aparecendo através de dois metros e meio de água sobre minha cabeça. Silêncio total exceto pelas batidas do coração que escuto em meu ouvido. Meu calção amarelo-listrado preso em volta do meu pescoço por segurança, só em caso de algum amigo, um vizinho, alguém que apareça e pergunte porque faltei aos treinos de futebol. O constante chupar da saída de água me envolve enquanto delicio minha bunda magra e branquela naquela sensação.


Num momento eu tenho ar o suficiente e meu pau está na minha mão. Meus pais estão no trabalho e minha irmão no balé. Ninguém estará em casa por horas.


Minhas mãos começam a punhetar, e eu paro. Eu subo para pegar mais ar. Afundo e sento no fundo.


Faço isso de novo, e de novo.


Deve ser por isso que garotas querem sentar na sua cara. A sucção é como dar uma cagada que nunca acaba. Meu pau duro e meu cú sendo chupado, eu não preciso de mais ar. O bater do meu coração nos ouvidos, eu fico no fundo até as brilhantes estrelas de luz começarem a surgir nos meus olhos. Minhas pernas esticadas, a batata das pernas esfregando-se contra o fundo. Meus dedos do pé ficando azul, meus dedos ficando enrugados por estar tanto tempo na água.


E então acontece. As gotas gordas de gozo aparecem. É nesse momento que preciso de mais ar. Mas quando tento sair do fundo, não consigo. Não consigo colocar meus pés abaixo de mim. Minha bunda está presa.


Médicos de plantão de emergência podem confirmar que todo ano cerca de 150 pessoas ficam presas dessa forma, sugadas pelo duto do filtro de piscina. Fique com o cabelo preso, ou o traseiro, e você vai se afogar. Todo o ano, muita gente fica. A maioria na Flórida.

As pessoas simplesmente não falam sobre isso. Nem mesmo os franceses falam sobre tudo. Colocando um joelho no fundo, colocando um pé abaixo de mim, eu empurro contra o fundo. Estou saindo, não mais sentado no fundo da piscina, mas não estou chegando para fora da água também.

Ainda nadando, mexendo meus dois braços, eu devo estar na metade do caminho para a superfície mas não estou indo mais longe que isso. O bater do meu coração no meu ouvido fica mais alto e mais forte.


As brilhantes fagulhas de luz passam pelos meus olhos, e eu olho para trás... mas não faz sentido. Uma corda espessa, algum tipo de cobra, branco-azulada e cheia de veias, saiu do duto da piscina e está segurando minha bunda. Algumas das veias estão sangrando, sangue vermelho que aparenta ser preto debaixo da água, que sai por pequenos cortes na pálida pele da cobra. O sangue começa a sumir na água, e dentro da pele fina e branco-azulada da cobra é possível ver pedaços de alguma refeição semi-digerida.


Só há uma explicação. Algum horrível monstro marinho, uma serpente do mar, algo que nunca viu a luz do dia, estava se escondendo no fundo escuro do duto da piscina, só esperando para me comer.


Então... eu chuto a coisa, chuto a pele enrugada e escorregadia cheia de veias, e parece que mais está saindo do duto. Deve ser do tamanho da minha perna nesse momento, mas ainda segurando firme no meu cú. Com outro chute, estou a centímetros de conseguir respirar. Ainda sentido a cobra presa no meu traseiro, estou bem próximo de escapar.


Dentro da cobra, é possível ver milho e amendoins. E dá pra ver uma brilhante esfera laranja. É um daqueles tipos de vitamina que meu pai me força a tomar, para poder ganhar massa. Para conseguir a bolsa como jogador de futebol. Com ferro e ácidos graxos Ômega 3.


Ver essa pílula foi o que me salvou a vida.


Não é uma cobra. É meu intestino grosso e meu cólon sendo puxados para fora de mim. O que os médicos chamam de prolapso de reto. São minhas entranhas sendo sugadas pelo duto.

Os médicos de plantão de emergência podem confirmar que uma bomba de piscina pode puxar 300 litros de água por minuto. Isso corresponde a 180 quilos de pressão. O grande problema é que somos todos interconectados por dentro. Seu traseiro é apenas o término da sua boca. Se eu deixasse, a bomba continuaria a puxar minhas entranhas até que chegasse na minha língua. Imagine dar uma cagada de 180 quilos e você vai perceber como isso pode acontecer.

O que eu posso dizer é que suas entranhas não sentem tanta dor. Não da forma que sua pele sente dor. As coisas que você digere, os médicos chamam de matéria fecal. No meio disso tudo está o suco gástrico, com pedaços de milho, amendoins e ervilhas.


Essa sopa de sangue, milho, merda, esperma e amendoim flutua ao meu redor. Mesmo com minhas entranhas saindo pelo meu traseiro, eu tentando segurar o que restou, mesmo assim, minha vontade é de colocar meu calção de alguma forma.


Deus proíba que meus pais vejam meu pau.


Com uma mão seguro a saída do meu rabo, com a outra mão puxo o calção amarelo-listrado do meu pescoço. Mesmo assim, é impossível puxar de volta.


Se você quer sentir como seria tocar seus intestinos, compre um camisinha feita com intestino de carneiro. Pegue uma e desenrole. Encha de manteiga de amendoim. Lubrifique e coloque debaixo d'água. Então tente rasgá-la. Tente partir em duas. É firme e ao mesmo tempo macia. É tão escorregadia que não dá para segurar.


Uma camisinha dessas é feita do bom e velho intestino.


Você então vê contra o que eu lutava.


Se eu largo, sai tudo.


Se eu nado para a superfície, sai tudo.


Se eu não nadar, me afogo.


É escolher entre morrer agora, e morrer em um minuto.

O que meus pais vão encontrar depois do trabalho é um feto grande e pelado, todo curvado. Mergulhado na árgua turva da piscina de casa. Preso ao fundo por uma larga corda de veias e entranhas retorcidas. O oposto do garoto que se estrangula enquanto bate uma. Esse é o bebê que trouxeram para casa do hospital há 13 anos. Esse é o garoto que esperavam conseguir uma bolsa de jogador de futebol e eventualmente um mestrado. Que cuidaria deles quando estivessem velhinhos. Seus sonhos e esperanças. Flutuando aqui, pelado e morto. Em volta dele, gotas gordas de esperma.

Ou isso, ou meus pais me encontrariam enrolado numa toalha encharcada de sangue, morto entre a piscina e o telefone da cozinha, os restos destroçados das minhas entranhas para fora do meu calção amarelo-listrado.


Algo sobre o qual nem os franceses falam.


Aquele irmão mais velho na Marinha, ele ensinou uma outra expressão bacana. Uma expressão russa. Do jeito que nós falamos "Preciso disso como preciso de um buraco na cabeça...," os russos dizem, "Preciso disso como preciso de dentes no meu cú......


Mne eto nado kak zuby v zadnitse.


Essas histórias de como animais presos em armadilhas roem a própria perna fora, bem, qualquer coiote poderá te confirmar que algumas mordidas são melhores que morrer.


Droga... mesmo se você for russo, um dia vai querer esses dentes.


Senão, o que você pode fazer é se curvar todo. Você coloca um cotovelo por baixo do joelho e puxa essa perna para o seu rosto. Você morde e rói seu próprio cú. Se você ficar sem ar você consegue roer qualquer coisa para poder respirar de novo.


Não é algo que seja bom contar a uma garota no primeiro encontro. Não se você espera por um beijinho de despedida. Se eu contasse como é o gosto, vocês não comeriam mais frutos do mar.

É difícil dizer o que enojaria mais meus pais: como entrei nessa situação, ou como me salvei. Depois do hospital, minha mãe dizia, "Você não sabia o que estava fazendo, querido. Você estava em choque." E ela teve que aprender a cozinhar ovos pochê.

Todas aquelas pessoas enojadas ou sentindo pena de mim....


Precisava disso como precisaria de dentes no cú.


Hoje em dia, as pessoas sempre me dizem que eu sou magrinho demais. As pessoas em jantares ficam quietas ou bravas quando não como o cozido que fizeram. Cozidos podem me matar. Presuntadas. Qualquer coisa que fique mais que algumas horas dentro de mim, sai ainda como comida. Feijões caseiros ou atum, eu levanto e encontro aquilo intacto na privada.


Depois que você passa por uma lavagem estomacal super-radical como essa, você não digere carne tão bem. A maioria das pessoas tem um metro e meio de intestino grosso. Eu tenho sorte de ainda ter meus quinze centímetros. Então nunca consegui minha bolsa de jogador de futebol. Nunca consegui meu mestrado. Meus dois amigos, o da cera e o da cenoura, eles cresceram, ficaram grandes, mas eu nunca pesei mais do que pesava aos 13 anos.


Outro problema foi que meus pais pagaram muita grana naquela piscina. No fim meu pai teve que falar para o cara da limpeza da piscina que era um cachorro. O cachorro da família caiu e se afogou. O corpo sugado pelo duto. Mesmo depois que o cara da limpeza abriu o filtro e removeu um tubo pegajoso, um pedaço molhado de intestino com uma grande vitamina laranja dentro, mesmo assim meu pai dizia, "Aquela porra daquele cachorro era maluco."


Mesmo do meu quarto no segundo andar, podia ouvir meu pai falar, "Não dava para deixar aquele cachorro sozinho por um segundo...."


E então a menstruação da minha irmã atrasou.


Mesmo depois que trocaram a água da piscina, depois que vendemos a casa e mudamos para outro estado, depois do aborto da minha irmã, mesmo depois de tudo isso meus pais nunca mencionaram mais isso novamente.

Nunca.

Essa é a nossa cenoura invisível.


Você. Agora você pode respirar.


Eu ainda não.


- TEXTO DE Chuck Palahniuk -

Postado Por: Black-Blood as 11:32

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AR, PRECISO DE AR!
Put* que pariu!
É aquele tipo de história onde você fecha o c* enquanto você lê...
 

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domingo, 18 de julho de 2010

Desenho 1 - Jmodel 001

Ficha do Desenho:

Nome: Jmodel 001

Modelo: Kanon Wakeshima

Terminado: primeiro semestre de 2009



Lembro-me do primeiro dia de cursinho do ano passado. Estava esperando a primeira aula começar, enquanto estava conversando um pouco com um rapaz e uma garota ao meu lado. De repente, ela resolveu mostrar os desenhos dela. Retirou um bloco de papel cheio de desenhos. Eram perfeitos, muito melhores que os meus, principalmente na pintura.


Fiquei chocado, por que no colegial eu era conhecido como o desenhista do colégio, mas bastou menos de uma hora no primeiro dia de aula de cursinho para que o destino me lembrasse de algo muito importante: Há sempre alguém melhor do que você por aí.


Não vou dizer que fiquei com o orgulho ferido, mas fiquei preocupado por que isso significa que eu poderia fazer algo muito melhor do que o que eu já havia feio até hoje.


Por causa dos estudos, não tive tempo para me dedicar em melhorar minhas habilidades de desenho. Até que um dia, eu estava indo dormir quando resolvi ir ver o Orkut de uma conhecida antes, e ví que havia desenhos dela lá. Arrependi-me de ter visto aquilo antes de dormir, haha. Ela devia ter uns 14 anos e já desenhava maravilhosamente. Não consegui dormir naquele dia. (ok, mentira, dormi de boa)


Percebi que estava ficando para trás, e que algo havia de ser feito para que eu melhorasse meus desenhos.


Já aprendi nessa vida que, para você melhorar em desenho, não adianta você ficar insistindo em ficar desenhando as mesmas coisas do mesmo jeito sempre. É necessário você pegar algo diferente e tentar desenhar de forma diferente do que você tem feito até hoje.


Sempre desenhei em estilo mangá, e já teste vários estilos de mangá, mas percebi que se tentasse algo totalmente diferente, eu acabaria abrindo um novo e amplo leque de possibilidades.


Foi então que eu resolvi pegar fotos de pessoas de verdade para treinar a aprender mimese (arte que imita a natureza, ou seja, desenhar de forma realista). Por ventura, eu estava procurando imagens boas na internet quando me deparei com a capa deste cd. Achei que iria ser um treinamento perfeito. Principalmente por causa da luva dela, que daria um trabalho em tanto.

Infelizmente quando se escaneia um desenho, muitos detalhes se perdem. A textura da versão escaneada ficou muito ruim infelizmente. Posso garantir que a versão original está muito melhor que isso, haha.


Eu sempre tento mudar o fundo das imagens. Não sabia direito o que fazer no fundo, quando pensei em desenhar um cristal de gelo. Acho que não ficou tão bom quanto eu queria.Também admito que fiquei insatisfeito com o olhar dela no meu desenho. Não consegui passar o olhar meigo da musicista...


Mas bem, como meu primeiro treino, acho que está valendo. Hahaha


Eu vou postando meus desenhos quando eu não tiver conseguido escrever post mais complicados. E vai levar um bom tempinho até chegar aos meus desenhos atuais.


Muito obrigado aos leitores.


Postado Por: Black-Blood as 18:27

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domingo, 11 de julho de 2010

Klimt, wieso so pop?

Lembro-me que Klimt foi o primeiro pintor que me causou real interesse, e até hoje ele persiste em ser meu pintor predileto. Ao olhar para os quadros dele, sinto-me como se estivesse olhando para dentro de mim mesmo, como se aquela imagem sempre tivesse existido em mim e que, se eu tivesse que pintar o mesmo tema que ele, pintaria exatamente da mesma forma. Sinto como se ele pensasse da mesma forma que eu penso. É impossível dizer que não me identifico com ele.


Eu achava isso um fato único, mas quando comecei a ler sobre Klimt, parece que ninguém consegue falar sobre esse pintor sem citar que ele é pop. Pop, pop, pop, é sempre isso que dizem dele. Desde o comentário do seu quadro numa revista da Bravo! das 100 pinturas essenciais, passando pelo documentário da BBC chegando até o livro da Taschen.


Imagine quantas vezes a cena de um beijo entre dois amantes deve ter sido representada no mundo das artes... Porém, quando se diz apenas ‘O Beijo’, está claro que você está falando de Gustav Klimt. Em se tratando de artes, monopolizar a palavra Beijo é um ato hercúleo. Sem contar que o quadro mais caro do mundo também é de sua autoria.


Tudo isso bastou para me convencer de que eu me sentia ‘identificado’ em sua obra, não por que ele expressa algo particularmente meu, mas sim algo particular do ser humano. E isso explicaria o fato dele ser tão popular.


Mas, o que na obra dele é tão humano, tão universal, de tão fácil assimilação? Pensei muito nesse assunto, e cheguei a conclusão que a sua arte fala de 3 tipos de beleza de fácil compreensão e vários pequenos fatores que levam o espectador a imaginar o tema do quadro espelhado em sua vida. As três belezas seriam:


- A beleza religiosa: Sim, apesar de Klimt ter pintado algumas personagens bíblicas ou mitológicas, como Judith, Adão e Eva, Leda e Dánae, é difícil de imaginar o Klimt como um pintor de arte religiosa, e nem é esse o meu intuito. Não acredito que, por exemplo, um cristão goste de sua obra por identificar nela algo de sua cristandade. Mas acredito que todas as pessoas, mesmo os ateus, têm algo que pode ser chamado de ‘sentimento religioso’. Mesmo quem tenha aversão a qualquer crença ou manifestação religiosa, creio que há algo em sua vida que, para ele, seja tão precioso a ponto de podermos comparar com o apreço que um crente tem pelo seu deus. Podemos dizer então que todos nós têmos algo que para nós é sagrado, divino. No caso de Klimt era a relação entre homem e mulher que toma aspecto sagrado. Relação entre os sexos, que para tantos é o símbolo de efemeridade, no quadro’ O Beijo’ fica claro o sentimento de eternidade presente. Os dois personagens retratados parecem estar vivendo e revivendo aquele momento, comumente tão curto, por toda eternidade, distanciados do restante do mundo por uma aura dourada que engloba ambos.

O sentimento religioso em Klimt se manifesta, visualmente, em dois aspectos. Primeiro no excesso de ouro de sua fase dourada, que, alias, segundo os estudiosos de Klimt, é uma herança da arte religiosa bizantina. Isso comprova minha teoria, pois Klimt pegou a técnica que os bizantinos usavam para dar uma ‘aura sagradas’ e usou em seus quadros sobre a beleza da mulher. E a outra forma que o sentimento se manifesta é no escuro, nos fundos negros que parecem se estender ao infinito, um abismo sem fim. O mistério da localização do quadro parece dar um aspecto ‘barroco’ à sua obra, semelhante aos quadros do Caravaggio. Isso tudo nos convida a pensar, a sentir algo de misterioso e oculto, como os mistérios presentes nas religiões (os mistérios da cruz, como é a vida pós a morte, etc). É importante notar que, apesar dos fundos de suas obras alegóricas serem ‘vazios’, eles ainda existem. Não há nada alem de uma imensidão negra, mas será mesmo que essa imensidão é vazia, ou parece vazia somente até onde nossa visão alcança, de tão infinita que é a paisagem? Não há nada mais alem? É o mesmo sentimento que se tem ao estar em uma sala escura e não saber o que se tem lá. É o mesmo sentimento que se tem diante da morte: É mesmo tão vazia, ou somente até onde nossa visão alcança?


- A beleza da riqueza: Escrevi ‘riqueza’ pensando em seu sentido literal, inicialmente, mas depois percebi que essa beleza equivale para a riqueza em sentido figurativo. A beleza do ouro, como riqueza, tão presente em sua fase dourada, é um tipo de beleza que todos que vivem em um mundo ocidentalizado podem entender. Há aqueles que preferem a prata, mas mesmo assim, a relação entre ouro e beleza não está distante de ninguém. Não somente pelo simbolismo de riqueza que ele possui, mas também por outros simbolismos que ele adquiriu durante a história ocidental (como o sentido de algo eterno e sagrado na arte bizantina citada acima). A riqueza ainda se manifesta de outras formas alem do ouro. Ele foi membro da Secessão, um grupo que servia claramente os interesses da burguesia e aristocracia de sua época. Os retratos encomendados por essas pessoas estão cheias de marcas de sua posição social.

Quanto à riqueza no sentido figurado, acho que não há muito que falar, se não o fato dos quadros dele serem cheios de detalhes e pormenores, nunca dando a impressão de simplicidade, chegando até ‘confundir’ alguns espectadores pelo excesso de detalhes. É uma arte rica em traços e em cores.


- A beleza feminina: Por último, porém, mas importante, uma beleza que se auto justifica. No livro da Taschen, de Gottfried Fliedl, há um capítulo chamado “O mundo com aparência feminina”. Não vejo forma melhor de definir sua obra. Em Klimt, o mundo inteiro toma a forma de uma mulher, o mundo inteiro toma a forma de uma beleza que todos admiram. Creio que mesmo uma mulher consiga reconhecer o erotismo expresso em seus quadros, e reconhecer que ali se manifesta a beleza. Algo totalmente humano, algo totalmente universal.


Essas, em minha opinião, são três belezas presentes na obra de Klimt que podem ser facilmente identificadas por qualquer um. E não são belezas que simplesmente podem ser entendidas por qualquer um, mas também são belezas cultuadas por quase todos em suas vidas privadas: O culto da beleza do sexo oposto, da beleza na riqueza e de sentir algo divino ou misterioso nas formas da vida.


Fliedl diz em seu livro que ele é o pintor mais popular do século XX. Porém, creio que muitas pessoas conheçam apenas ‘O Beijo’. Mesmo assim, creio que esse seja o quadro mais ‘cultuado’ de todos, mais admirado. Foi ele quem tornou Klimt ‘pop’. Pois creio que não é difícil alguém se identificar com os dois personagens do quadro. Todos nós já quisemos no entregar nos braços da pessoa amada eternamente, isolando-se das enfermidades da vida, misturando os corpos a ponto de nos confundir onde começa um e termina o outro como acontece no quadro. Há outros elementos no quadro, além das 3 belezas, que permitem esse quadro ser tão universal (elementos também presentes em quase todos os seus quadros alegóricos). Um deles é a remoção de qualquer traço de historismo. Na Escola de Artes Decorativas, Klimt aprendeu a pintar segundo o historismo, que é pintar a cena do quadro com personagem inseridos dentro de um momento histórico, com vestimentas e arquitetura historicamente corretas. Na Secessão, grupo posterior em que Klimt atuaria, o historismo é rejeitado. Agora os seus quadros não estão inseridos, nem em um momento histórico e muito menos em uma localidade real. Olhar para as suas alegorias, como o da Esperança ou da Vida e da Morte, é como olhar para o mundo platônico, o mundo das Idéias, um mundo onde o tempo, a região e a cultura não interferem na realidade. Olhar para sua ‘A Esperança’ é como olhar para a Verdadeira idéia de Esperança, que habita o mundo das idéias. Repare que mesmo os quadros que retratam personagens históricos como Judith e Dánae são desprovidos de qualquer traço regional e temporal. Isso, logicamente, permite que qualquer um se identifique com a cena tratada na tela, independente do ano em que se vive como independente de seu local de origem e cultura.


Repare também que mesmo outros artistas tendo usado algumas das belezas que citei, nenhum deles usou todos esses elementos juntos. Nas obras de Egon Schiele, conterrâneo de Gustav, vemos o uso da beleza do erotismo, talvez até usada mais ousadamente. Porém, não encontramos em Schiele a beleza da riqueza, muito pelo contrário, a obra de Schiele passa um forte sentimento de miséria e pobreza, e nem todos estão abertos para esse tipo elemento.


Para mim, tudo isso justifica a calorosa recepção que o pintor austríaco teve durante o começo da segunda metade do século XX, onde ouve uma pequena ‘renascença’ de Klimt, até os dias de hoje. Desde que esse ano começou, já devo ter reparado alguma ligação com o pintor mais de 5 vezes na TV, e olha que eu nem assisto TV! Eram quadros presentes em fundo de novelas, fundo de documentário, fundo de filme, e até a Angélica estava usando uma roupa claramente baseada em Klimt no Videoshow. Desculpem-me por um post tão grande, mas um pintor tão universal e onipresente merece todas essas 3 páginas de Word de palavras.



Imensamente grato aos que até aqui leram!


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Bibliografia:

Fliedl, Gottfried, Klimt Taschen 25 Anniversary, Edição Original, Printed in China, Editora Tachen, 2006

Postado Por: Black-Blood as 21:43

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-=Mr. Pessimister=-

Outras idéias.
Outros valores.
Um outro Mundo.
Aqui só existe o que eu acho que deveria existir.

Postarei aqui qualquer obra artística minha: Desenhos, pinturas, textos...
Além disso, escreverei algumas observações sobre os artistas que eu admiro e sobre as minhas inspirações.
Mas sobre tudo, irei tentar discutir sobre arte, não como uma mera forma de entretenimento, mas sim como uma manifestação humana que está intrinsecamente ligada com a religião, ciência e filosofia.
Discutir como chegar mais próximo da Verdade através das artes.

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