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segunda-feira, 26 de julho de 2010
Inicialmente, eu queria ter falado sobre a razão áurea, phi e os números de ouro nesse post, mas achei que era um assunto muito interessante para falar tão cedo. Quero deixar para falar disso quando meu blog estiver com todos os detalhes finalizados e quando ele estiver sendo mais visitado. Então eu pensei em falar sobre a relação do artista com as suas fontes de inspiração, mas depois de ter visto um vídeo na internet, bastante artístico, achei melhor deixar para uma próxima semana e fazer um post só com o vídeo. Mas ontem, em uma conversa de barzinho, mencionei um texto que prometi postar aqui para que pudesse ser lido. Enfim, enjoy.
Quem assistiu o filme ‘Clube da Luta’ ou leu o livro sabe que as obras do autor Chuck Palahniuk são um verdadeiro soco no estomago. Mas esse texto, escrito por ele, é mais que um soco na barriga: É um soco na boca do estômago, seguido por um jab de esquerda e um gancho no queixo, ementado por um mata-leão e um abraço do urso logo depois. Tudo isso finalizado por um Round-house Kick e um Hadouken na fuça ( 7 HITS COMBO! ).
Quando tentei ler o texto pela primeira vez, não consegui lê-lo de uma única vez, tamanha a tortura mental que esse texto me proporcionou. Depois de ter conseguido ler o texto, senti um misto de alivio e repulsa. O conteúdo do texto é forte, por isso não recomendo para quem tem estomago fraco. Enfim, posto aqui esse texto por que achei fascinante a sensação tão peculiar que esse texto oferece. Boa leitura!
Inspire.
Esse amigo meu, ele espera por meses na surdina, esperando que seus pais o confrontem. E eles nunca fazem isso. Nunca. Mesmo agora que ele cresceu, aquela cenoura invisível aparece em toda ceia de Natal, em toda festa de aniversário. Em toda caça de ovos de páscoa com seus filhos, os netos de seus pais, aquela cenoura fantasma paira por sobre todos eles. Isso é algo vergonhoso demais para dar um nome.
Outro amigo meu, um garoto da escola, seu irmão mais velho na Marinha dizia como os caras do Oriente Médio se masturbavam de forma diferente do que fazemos por aqui. Esse irmão tinha desembarcado num desses países cheios de camelos, na qual o mercado público vendia o que pareciam abridores de carta chiques. Cada uma dessas coisas é apenas um fino cabo de latão ou prata polida, do comprimento aproximado de sua mão, com uma grande ponta numa das extremidades, ou uma esfera de metal ou uma dessas empunhaduras como as de espadas. Esse irmão da Marinha dizia que os árabes ficavam de pau duro e inseriam esse cabo de metal dentro e por toda a extremidade de seus paus. Eles então batiam punheta com o cabo dentro, e isso os faziam gozar melhor. De forma mais intensa.
Pelo telefone, o garoto diz que, no dia anterior, ele estava meio chapado. Em casa, no seu quarto, ele deitou-se na cama. Ele estava acendendo uma vela e folheando algumas revistas pornográficas antigas, preparando-se para bater uma. Isso foi depois que ele recebeu as notícias de seu irmão marinheiro. Aquela dica de como os árabes se masturbam. O garoto olha ao redor procurando por algo que possa servir. Uma caneta é grande demais. Um lápis, grande demais e áspero. Mas escorrendo pelo canto da vela havia um fino filete de vela derretida que poderia servir. Com as pontas dos dedos, o garoto descola o filete da vela. Ele o enrola na palma de suas mãos. Longo, e liso, e fino.
Os raios-X mostram a verdade, algo longo e fino, dobrado dentro de sua bexiga. Esse longo e fino V dentro dele está coletando todos os minerais no seu mijo. Está ficando maior e mais expesso, coletando cristais de cálcio, está batendo lá dentro, rasgando a frágil parede interna de sua bexiga, bloqueando a urina. Seus rins estão cheios. O pouco que sai de seu pau é vermelho de sangue.
A melhor parte da Pesca Submarina era o duto da bomba do filtro. A melhor parte era ficar pelado e sentar nela.
As pessoas simplesmente não falam sobre isso. Nem mesmo os franceses falam sobre tudo. Colocando um joelho no fundo, colocando um pé abaixo de mim, eu empurro contra o fundo. Estou saindo, não mais sentado no fundo da piscina, mas não estou chegando para fora da água também.
Os médicos de plantão de emergência podem confirmar que uma bomba de piscina pode puxar 300 litros de água por minuto. Isso corresponde a 180 quilos de pressão. O grande problema é que somos todos interconectados por dentro. Seu traseiro é apenas o término da sua boca. Se eu deixasse, a bomba continuaria a puxar minhas entranhas até que chegasse na minha língua. Imagine dar uma cagada de 180 quilos e você vai perceber como isso pode acontecer.
O que meus pais vão encontrar depois do trabalho é um feto grande e pelado, todo curvado. Mergulhado na árgua turva da piscina de casa. Preso ao fundo por uma larga corda de veias e entranhas retorcidas. O oposto do garoto que se estrangula enquanto bate uma. Esse é o bebê que trouxeram para casa do hospital há 13 anos. Esse é o garoto que esperavam conseguir uma bolsa de jogador de futebol e eventualmente um mestrado. Que cuidaria deles quando estivessem velhinhos. Seus sonhos e esperanças. Flutuando aqui, pelado e morto. Em volta dele, gotas gordas de esperma.
É difícil dizer o que enojaria mais meus pais: como entrei nessa situação, ou como me salvei. Depois do hospital, minha mãe dizia, "Você não sabia o que estava fazendo, querido. Você estava em choque." E ela teve que aprender a cozinhar ovos pochê.
Nunca.
- TEXTO DE Chuck Palahniuk -
Postado Por:
Black-Blood as
11:32 Comments: domingo, 18 de julho de 2010
Ficha do Desenho: Nome: Jmodel 001 Modelo: Kanon Wakeshima Terminado: primeiro semestre de 2009
Lembro-me do primeiro dia de cursinho do ano passado. Estava esperando a primeira aula começar, enquanto estava conversando um pouco com um rapaz e uma garota ao meu lado. De repente, ela resolveu mostrar os desenhos dela. Retirou um bloco de papel cheio de desenhos. Eram perfeitos, muito melhores que os meus, principalmente na pintura.
Fiquei chocado, por que no colegial eu era conhecido como o desenhista do colégio, mas bastou menos de uma hora no primeiro dia de aula de cursinho para que o destino me lembrasse de algo muito importante: Há sempre alguém melhor do que você por aí.
Não vou dizer que fiquei com o orgulho ferido, mas fiquei preocupado por que isso significa que eu poderia fazer algo muito melhor do que o que eu já havia feio até hoje.
Por causa dos estudos, não tive tempo para me dedicar em melhorar minhas habilidades de desenho. Até que um dia, eu estava indo dormir quando resolvi ir ver o Orkut de uma conhecida antes, e ví que havia desenhos dela lá. Arrependi-me de ter visto aquilo antes de dormir, haha. Ela devia ter uns 14 anos e já desenhava maravilhosamente. Não consegui dormir naquele dia. (ok, mentira, dormi de boa)
Percebi que estava ficando para trás, e que algo havia de ser feito para que eu melhorasse meus desenhos.
Já aprendi nessa vida que, para você melhorar em desenho, não adianta você ficar insistindo em ficar desenhando as mesmas coisas do mesmo jeito sempre. É necessário você pegar algo diferente e tentar desenhar de forma diferente do que você tem feito até hoje.
Sempre desenhei em estilo mangá, e já teste vários estilos de mangá, mas percebi que se tentasse algo totalmente diferente, eu acabaria abrindo um novo e amplo leque de possibilidades.
Foi então que eu resolvi pegar fotos de pessoas de verdade para treinar a aprender mimese (arte que imita a natureza, ou seja, desenhar de forma realista). Por ventura, eu estava procurando imagens boas na internet quando me deparei com a capa deste cd. Achei que iria ser um treinamento perfeito. Principalmente por causa da luva dela, que daria um trabalho em tanto. Infelizmente quando se escaneia um desenho, muitos detalhes se perdem. A textura da versão escaneada ficou muito ruim infelizmente. Posso garantir que a versão original está muito melhor que isso, haha.
Eu sempre tento mudar o fundo das imagens. Não sabia direito o que fazer no fundo, quando pensei em desenhar um cristal de gelo. Acho que não ficou tão bom quanto eu queria.Também admito que fiquei insatisfeito com o olhar dela no meu desenho. Não consegui passar o olhar meigo da musicista...
Mas bem, como meu primeiro treino, acho que está valendo. Hahaha
Eu vou postando meus desenhos quando eu não tiver conseguido escrever post mais complicados. E vai levar um bom tempinho até chegar aos meus desenhos atuais.
Muito obrigado aos leitores.
Postado Por:
Black-Blood as
18:27 Comments: domingo, 11 de julho de 2010
Klimt, wieso so pop? Lembro-me que Klimt foi o primeiro pintor que me causou real interesse, e até hoje ele persiste em ser meu pintor predileto. Ao olhar para os quadros dele, sinto-me como se estivesse olhando para dentro de mim mesmo, como se aquela imagem sempre tivesse existido em mim e que, se eu tivesse que pintar o mesmo tema que ele, pintaria exatamente da mesma forma. Sinto como se ele pensasse da mesma forma que eu penso. É impossível dizer que não me identifico com ele.
Eu achava isso um fato único, mas quando comecei a ler sobre Klimt, parece que ninguém consegue falar sobre esse pintor sem citar que ele é pop. Pop, pop, pop, é sempre isso que dizem dele. Desde o comentário do seu quadro numa revista da Bravo! das 100 pinturas essenciais, passando pelo documentário da BBC chegando até o livro da Taschen.
Imagine quantas vezes a cena de um beijo entre dois amantes deve ter sido representada no mundo das artes... Porém, quando se diz apenas ‘O Beijo’, está claro que você está falando de Gustav Klimt. Em se tratando de artes, monopolizar a palavra Beijo é um ato hercúleo. Sem contar que o quadro mais caro do mundo também é de sua autoria.
Tudo isso bastou para me convencer de que eu me sentia ‘identificado’ em sua obra, não por que ele expressa algo particularmente meu, mas sim algo particular do ser humano. E isso explicaria o fato dele ser tão popular.
Mas, o que na obra dele é tão humano, tão universal, de tão fácil assimilação? Pensei muito nesse assunto, e cheguei a conclusão que a sua arte fala de 3 tipos de beleza de fácil compreensão e vários pequenos fatores que levam o espectador a imaginar o tema do quadro espelhado em sua vida. As três belezas seriam:
- A beleza religiosa: Sim, apesar de Klimt ter pintado algumas personagens bíblicas ou mitológicas, como Judith, Adão e Eva, Leda e Dánae, é difícil de imaginar o Klimt como um pintor de arte religiosa, e nem é esse o meu intuito. Não acredito que, por exemplo, um cristão goste de sua obra por identificar nela algo de sua cristandade. Mas acredito que todas as pessoas, mesmo os ateus, têm algo que pode ser chamado de ‘sentimento religioso’. Mesmo quem tenha aversão a qualquer crença ou manifestação religiosa, creio que há algo em sua vida que, para ele, seja tão precioso a ponto de podermos comparar com o apreço que um crente tem pelo seu deus. Podemos dizer então que todos nós têmos algo que para nós é sagrado, divino. No caso de Klimt era a relação entre homem e mulher que toma aspecto sagrado. Relação entre os sexos, que para tantos é o símbolo de efemeridade, no quadro’ O Beijo’ fica claro o sentimento de eternidade presente. Os dois personagens retratados parecem estar vivendo e revivendo aquele momento, comumente tão curto, por toda eternidade, distanciados do restante do mundo por uma aura dourada que engloba ambos. O sentimento religioso em Klimt se manifesta, visualmente, em dois aspectos. Primeiro no excesso de ouro de sua fase dourada, que, alias, segundo os estudiosos de Klimt, é uma herança da arte religiosa bizantina. Isso comprova minha teoria, pois Klimt pegou a técnica que os bizantinos usavam para dar uma ‘aura sagradas’ e usou em seus quadros sobre a beleza da mulher. E a outra forma que o sentimento se manifesta é no escuro, nos fundos negros que parecem se estender ao infinito, um abismo sem fim. O mistério da localização do quadro parece dar um aspecto ‘barroco’ à sua obra, semelhante aos quadros do Caravaggio. Isso tudo nos convida a pensar, a sentir algo de misterioso e oculto, como os mistérios presentes nas religiões (os mistérios da cruz, como é a vida pós a morte, etc). É importante notar que, apesar dos fundos de suas obras alegóricas serem ‘vazios’, eles ainda existem. Não há nada alem de uma imensidão negra, mas será mesmo que essa imensidão é vazia, ou parece vazia somente até onde nossa visão alcança, de tão infinita que é a paisagem? Não há nada mais alem? É o mesmo sentimento que se tem ao estar em uma sala escura e não saber o que se tem lá. É o mesmo sentimento que se tem diante da morte: É mesmo tão vazia, ou somente até onde nossa visão alcança?
- A beleza da riqueza: Escrevi ‘riqueza’ pensando em seu sentido literal, inicialmente, mas depois percebi que essa beleza equivale para a riqueza em sentido figurativo. A beleza do ouro, como riqueza, tão presente em sua fase dourada, é um tipo de beleza que todos que vivem em um mundo ocidentalizado podem entender. Há aqueles que preferem a prata, mas mesmo assim, a relação entre ouro e beleza não está distante de ninguém. Não somente pelo simbolismo de riqueza que ele possui, mas também por outros simbolismos que ele adquiriu durante a história ocidental (como o sentido de algo eterno e sagrado na arte bizantina citada acima). A riqueza ainda se manifesta de outras formas alem do ouro. Ele foi membro da Secessão, um grupo que servia claramente os interesses da burguesia e aristocracia de sua época. Os retratos encomendados por essas pessoas estão cheias de marcas de sua posição social. Quanto à riqueza no sentido figurado, acho que não há muito que falar, se não o fato dos quadros dele serem cheios de detalhes e pormenores, nunca dando a impressão de simplicidade, chegando até ‘confundir’ alguns espectadores pelo excesso de detalhes. É uma arte rica em traços e em cores.
- A beleza feminina: Por último, porém, mas importante, uma beleza que se auto justifica. No livro da Taschen, de Gottfried Fliedl, há um capítulo chamado “O mundo com aparência feminina”. Não vejo forma melhor de definir sua obra. Em Klimt, o mundo inteiro toma a forma de uma mulher, o mundo inteiro toma a forma de uma beleza que todos admiram. Creio que mesmo uma mulher consiga reconhecer o erotismo expresso em seus quadros, e reconhecer que ali se manifesta a beleza. Algo totalmente humano, algo totalmente universal.
Essas, em minha opinião, são três belezas presentes na obra de Klimt que podem ser facilmente identificadas por qualquer um. E não são belezas que simplesmente podem ser entendidas por qualquer um, mas também são belezas cultuadas por quase todos em suas vidas privadas: O culto da beleza do sexo oposto, da beleza na riqueza e de sentir algo divino ou misterioso nas formas da vida.
Fliedl diz em seu livro que ele é o pintor mais popular do século XX. Porém, creio que muitas pessoas conheçam apenas ‘O Beijo’. Mesmo assim, creio que esse seja o quadro mais ‘cultuado’ de todos, mais admirado. Foi ele quem tornou Klimt ‘pop’. Pois creio que não é difícil alguém se identificar com os dois personagens do quadro. Todos nós já quisemos no entregar nos braços da pessoa amada eternamente, isolando-se das enfermidades da vida, misturando os corpos a ponto de nos confundir onde começa um e termina o outro como acontece no quadro. Há outros elementos no quadro, além das 3 belezas, que permitem esse quadro ser tão universal (elementos também presentes em quase todos os seus quadros alegóricos). Um deles é a remoção de qualquer traço de historismo. Na Escola de Artes Decorativas, Klimt aprendeu a pintar segundo o historismo, que é pintar a cena do quadro com personagem inseridos dentro de um momento histórico, com vestimentas e arquitetura historicamente corretas. Na Secessão, grupo posterior em que Klimt atuaria, o historismo é rejeitado. Agora os seus quadros não estão inseridos, nem em um momento histórico e muito menos em uma localidade real. Olhar para as suas alegorias, como o da Esperança ou da Vida e da Morte, é como olhar para o mundo platônico, o mundo das Idéias, um mundo onde o tempo, a região e a cultura não interferem na realidade. Olhar para sua ‘A Esperança’ é como olhar para a Verdadeira idéia de Esperança, que habita o mundo das idéias. Repare que mesmo os quadros que retratam personagens históricos como Judith e Dánae são desprovidos de qualquer traço regional e temporal. Isso, logicamente, permite que qualquer um se identifique com a cena tratada na tela, independente do ano em que se vive como independente de seu local de origem e cultura.
Repare também que mesmo outros artistas tendo usado algumas das belezas que citei, nenhum deles usou todos esses elementos juntos. Nas obras de Egon Schiele, conterrâneo de Gustav, vemos o uso da beleza do erotismo, talvez até usada mais ousadamente. Porém, não encontramos em Schiele a beleza da riqueza, muito pelo contrário, a obra de Schiele passa um forte sentimento de miséria e pobreza, e nem todos estão abertos para esse tipo elemento.
Para mim, tudo isso justifica a calorosa recepção que o pintor austríaco teve durante o começo da segunda metade do século XX, onde ouve uma pequena ‘renascença’ de Klimt, até os dias de hoje. Desde que esse ano começou, já devo ter reparado alguma ligação com o pintor mais de 5 vezes na TV, e olha que eu nem assisto TV! Eram quadros presentes em fundo de novelas, fundo de documentário, fundo de filme, e até a Angélica estava usando uma roupa claramente baseada em Klimt no Videoshow. Desculpem-me por um post tão grande, mas um pintor tão universal e onipresente merece todas essas 3 páginas de Word de palavras.
Imensamente grato aos que até aqui leram!
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Bibliografia: Fliedl, Gottfried, Klimt Taschen 25 Anniversary, Edição Original, Printed in China, Editora Tachen, 2006
Postado Por:
Black-Blood as
21:43 Comments: |
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